segunda-feira, 6 de março de 2017

LOGAN (RESENHA)


Hugh Jackman contou nas entrevistas mais recentes que a idealização desse projeto surgiu em uma conversa com o seu amigo, o comediante e aficionado por quadrinhos Jerry Seinfeld. Ambos chegaram a conclusão que depois de 17 anos encarnando o Wolverine, era necessária uma despedida digna do ator australiano do papel que o tornou conhecido mundo afora. De longe, Jackman foi o que mais durou fazendo o mesmo personagem e, certamente, perderá esse posto provavelmente pro Samuel L Jackson e o seu Nick Fury. Isso porque não estou contando na equação outros atores que ficaram por muito tempo fazendo a mesma persona por anos a fio, como os interpretes de Jason (Sexta-Feira 13), Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo) e Pinhead (Hellraiser). O papo aqui é adaptação de quadrinhos pro cinema!




Logan 
é o ultimo longa de Hugh a frente do carcaju mais ranzinza da Marvel. Depois de anos tentando fazer uma adaptação digna tanto de seu talento como ator quanto pro herói, o que vemos aqui finalmente é a redenção dos dois. Tardia, diga-se de passagem, mas que enfim veio! O longa mostra Wolverine em um futuro não tão distante do nosso tempo e que é um pouco menos high-tech que o do Dias de um Futuro Esquecido. Ele se torna motorista freelance de pessoas endinheiradas, e trabalha para sustentar seus vícios em bebidas e remédios e para tratar de um envelhecido Charles Xavier (Patrick Stewart, também em sua ultima aparição com o personagem), acometido por Alzheimer.




Em meio a tudo isso, uma desconhecida oferece uma boa quantia em dinheiro para que Logan atravesse para o outro lado da fronteira dos EUA uma jovem chamada Laura, que possui também a alcunha de X-23 e os mesmos poderes que o seus. Porém, um grupo de pesquisa aliado a mercenários chamados Carniceiros vão atrás da adolescente e ele terá que fazer de tudo tanto pra protegê-la quanto pra resguardar seus pares.





Não há como falar a sinopse sem lembrar de longas Road Movie como Na Natureza Selvagem, Pequena Miss Sunshine e Filhos da Esperança, já que o filme se trata justamente de uma jornada de auto-conhecimento e aceitação do destino do personagem principal. Assim como ele de certa forma lembra O Lutador, porque vemos um protagonista destroçado pelo tempo e que luta para continuar de pé e ativo. Jackman não só nos entrega um Wolverine com sangue nos olhos como também nos mostra a sensibilidade que o mesmo adquiriu ao longo do tempo e das batalhas que travou ao lado daqueles que um dia foram seus amigos e que não estão mais vivos. Patrick Stewart, por sua vez, nos presenteou com um final digno de sua atuação ao longo da franquia, se redimindo daquele pavoroso visto em O Confronto Final. A novata atriz Dafne Keen, que interpreta a X-23, entrega toda a doçura aliada a uma raiva explosiva que sua personagem pede. Torçamos para que ela tenha futuro em Hollywood (ou um agente competente).





Mas o filme não é tudo isso que alardeiam por aí. Apesar de cenas tocantes e interpretações maravilhosas, o ritmo da película é oscilante, e lá pra metade, fica arrastado, apenas injetando um pouco de adrenalina no final. Um pouquinho mais de ação não faria mal! Afinal, isso é um filme de herói, oras bolas. Além disso, tanto as motivações da corporação quanto a do vilão principal Pierce (interpretado por Boyd Holbrook) são bastante fracas, um problema recorrente em quase todas as produções da Marvel (sim, incluo X-Men na Marvel mesmo estando na FOX). A impressão que dá é de que o diretor James Mangold levou um tanto a sério as críticas do filme anterior (Wolverine Imortal) que diziam que era necessário humanizar mais os personagens. A melhoria, de fato, precisava ser feita, mas não precisava com isso sacrificar as cenas de ação. Faltou um pouco mais de equilíbrio entre os dois.





No final, Logan supera suas falhas, nos faz esquecer de seus desastrosos antecessores e dá tanto ao Wolverine quanto a Hugh Jackman um ponto final digno dentro do que foi estabelecido a partir do X-Men de 2000. Valeu, Jackman. Que venha o próximo interprete!


P.S.: Não pague mico de ficar esperando até o final, porque Logan não tem cena pós-crédito!

P.S.2: Descanse em paz, Darryl Jenks, herdeiro do Soul Glo.








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